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afastamento

by Juliano Gauche

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1.
dentro dos olhos vidrados no céu, a noite não perdoava. as tempestades, retrocedendo, limpavam meu coração. nuvens deixavam meu corpo dançando em volta do mesmo calor que o chão guardava do sol, que os pés jogavam no ar. todas as tardes as ruas inventam doenças para curar. os urubus vestem ternos de fibra e corpos para fingir que a solução pra essa dor é mentir, é lesar e depois se esconder. eu sinto falta de mim, quando ninguém aparece e explode. Silmar Saraiva tentou ser um santo depois de se machucar. o povo gosta de rir. o povo quer brincar. o povo quer carnaval, quer um dia tranquilo e morrer em paz. a parabólica bebe do espaço todo veneno, feliz. enquanto as máquinas gemem de amor, outra mulher se despede do tempo. dentro dos olhos vidrados no céu, a noite não terminava. nas casas frias, longe de mim, outra canção insistia que o corpo fosse um largo sem fim sonhando ser outra vez uma cidade repleto de rio e flor, portas abertas, enfim. cada pedaço espalhado germina com medo de se perguntar. ontem foi água. depois tem fogo. é tão difícil saber. dentro dos olhos vidrados no céu a noite só respondia em silêncio, quem viu a cor do jardim, quem trouxe o som dos canhões, quem levantou as crianças das pedras, quem conseguir escapar.
2.
atravessaremos logo que o sol soprar. eu te esperei até hoje e agora sim. enquanto isso juntei tanto medo que poderia matar. ainda bem você veio e minhas mãos, enfim, sossegou. agora vamos em dois. nós vamos nos suportar. eu juro te proteger. te peço me segurar. até que tudo esteja distante demais. e até lá, fingiremos que estamos perdidos. pra festejar em silêncio as nossas horas de amor.
3.
longe, enfim 03:22
devagar, abracei e senti me abraçar o seu corpo se abrindo feito flor a chamar e pedir: meu amor, me atravesse com sua força. e o calor a nos aliviar dos nossos dias sem encontrar o que agora nos leva pra longe, enfim.
4.
dos dois 03:32
ela disse, eu não aguento mais. no meio da porta, pronta pra sair. um homem vulgar e vinte e cinco anos de solidão. ele, como sempre, só olhou. nunca soube muito bem o que dizer. e não demorou a casa toda emudeceu e dormiu. ela foi voando para um novo amor. ele, esperando pelo mesmo amor. que tanto só fez mal. que tanto machucou. ela disse, eu não suporto mais. ele, meio morto, cabisbaixo, concordou.
5.
pedaço de mim que entrego aos poucos, saiba correr pra longe, depressa, não fique pensando demais, nem pergunte por que. nós já sabemos bem que nada vai mudar. eu tenho tanto medo dos homens que falam em nome de deus. pedaço de mim não se assuste. mas ninguém olha por quem nunca sabe mentir, disso eu já sei bem. guarde seu amor. finja sempre desdém. atrevesse seus dias sem muito querer. pedaço de mim nem ouse voltar. tudo aqui é doença e loucura e eu já não me sinto bem. tem dias que eu imploro pelo começo do fim. vá e não volte mais, pedaço de mim.
6.
tem dia que é demais. tem outros dias que não. tem umas coisas que quebram a gente, mas se é sempre eu não sei. tem acidente marcado, antes do próximo show. vem gritaria na rua. tem dia que é demais. um homem-bala voou pelo vidro das asas de um avião. enquanto ele caía, alguém abria o chão.
7.
sim, todos esses dias estranhei a nossa vida. veja bem, onde já se viu viver esperando a sorte? quem não sabe o que é fugir do peso de não resistir ao som dos desejos? quem não sabe o que é ouvir o que diz por dentro? quando alguém te disser eu te entendo e seu olhar se perder; quando alguém te chamar em segredo, ah, isso vai doer. não, por favor não sinta o que esconde outro coração. há uma força que me anima quando volto do silêncio e eu não posso mais me proteger. quem não sabe o que é ouvir o que diz o peito? quando alguém te disser te desejo e seu olhar te prender, quando alguém revolver seu sossego, ah, você vai ver!
8.
dos canteiros de armas acesas no céu ao redor. das bocas dos jatos que bebem a força do ar. do vai e vem miserável. das explosões das cidades. dos caminhões carregados. de brinquedo e veneno. dos olhos sem rumo de quem espera que logo tudo se acabe. da festa que fazem nos escritórios. dos bichos que trepam no chão. dos longos dias no mormaço do amor. da estranheza selvagem do coração animal. das meninas que dançam para comprar outro corpo. dos corpos quebrados pela fantasia militar. dos cachorros sisudos. do dinheiro sangrando. das peripécias dos donos do santo altar. do pai de toda mentira. da televisão. da putaria gostosa. dos homens mais violentos. das noites que tudo desanda. do corre-corre terrível nas ruas sem luz. do morde e assopra do homem que quer ver o céu. do inferno que fazem da vida incomum. dos que escapam das máquinas dos heróis.

credits

released May 4, 2018

Juliano Gauche | voz, violão e guitarra
Daniel Lima | baixo
Gustavo Souza | bateria e percussão
João Leão | teclado
Kaneo Ramos | guitarra

participações especiais
Daniel Viana | viola nas faixas 1 e 8
Dustan Gallas | teclado e percussão na faixa 5
Edson Van Gogh | guitarra solo na faixa 6
Felipe Crocco | guitarra rítmica na faixa 3
Fernando Catatau | violão nas faixas 2 e 8, guitarras solo na faixa 5 e guitarra incidental na faixa 6
Kaneo Ramos | violão na faixa 4

gravado e editado no estúdio EAEO Records por Felipe Crocco e João Noronha
Dustan Gallas | mixagem
Éric Yoshino | edição de vozes
Estúdio Classic Master - Carlinhos Freitas | masterização

Haroldo Sabóia | fotografias/retrato
Lia Damasceno | figurino
Simon Fernandes | capa e projeto gráfico

Silvana Ramalhete | direção artística e executiva

realização
Ramalhete Produções e EAEO Records
este projeto foi realizado com apoio do Edital de Apoio a Criação Artística Linguagem Música da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de São Paulo.

todas as músicas escritas por Juliano Gauche, exceto a faixa "tem dia que é demais", escrita por Juliano Gauche e Gustavo Macacko.

produzido por Juliano Gauche e Fernando Catatau

EAEO Records 2018

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Juliano Gauche Vitoria, Brazil

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